quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

EURO 2008: o recado de Scolari







«Quem tiver bunda grande pode perder ônibus»

«Tenho basicamente 85/90 por cento do grupo já definido. Agora tem alguns atletas que vão ter de ter alguns cuidados. Atletas que estiverem com dois ou três quilos acima do peso, com bunda grande e que estiverem preocupados com outras coisas, como a noite ou desfiles de moda, pode perder o ônibus. Quem não tiver uma vida mais regrada para o futebol pode perder o caminho. Isso é um recado que estou dando»
Aí está o 1º recado de Luiz Felipe Scolari até à convocatória para o Europeu de 2008.
O alvo parece estar bem identificado, estilo luzinha vermelha de espingarda sniper apontada à testa. Miguel Veloso está à distância do apertar do gatilho de Scolari. E se o gatilho for apertado, a mais recente grande promessa do futebol português fica fora da maior montra europeia de futebol.
E isso seria mau para a Selecção (porque é de facto um bom jogador); seria mau para o Sporting (o passe do jogador sairia desvalorizado e os lucros com a sua venda seriam menores); seria mau para Miguel Veloso, que estaria fora de uma grande competição internacional e que veria bastante mais díficil uma transferência para um grande tuberão europeu.
O trinco leonino está, de facto, fora de forma. Os pormenores estão lá, a técnica e a classe também. Isso é certo. Mas não chega. É necessário maior atitude competitiva, mais garra, mais vontade, mais atenção nas marcações. E isso não tem existido. Muito por culpa do actual momento da equipa de Paulo Bento, onde quase ninguém sobressai (Vukcevic é um óasis naquele deserto). Mas também muito por culpa do seu estado físico: algo pesado, o que o faz ficar lento, o que para um trinco é fatal.
Miguel Veloso é jogador para mais do que está mostrar. E mesmo num Sporting a leste do Paraíso, exige-se mais deste médio defensivo. Porque qualidade é coisa que não lhe falta.

CAN 2008: merecia melhores relvados




Temos assistido a excelentes jogos na CAN 2008. Tem havido muitos golos, indecisão nos resultados até final e África tem mostrado possuir bons jogadores para além daqueles já conhecidos dos grandes campeonatos europeus.

Contudo, penso que esses jogos poderiam ser ainda melhores. O actual estado dos relvados ganeses para esta CAN é deplorável. Os relvados são invariavelmente altíssimos, mal cortados, lentos. Muito diferentes dos relvados europeus, que são verdinhos (mas nisso não há culpas a atribuir, pois surge por questões climáticas), cortados "rente", rápidos e velozes.

Os relvados da CAN, altos e fofos (estilo Pizza Hut), potenciam as qualidades e os defeitos do futebol africano. Ora vejamos: por um lado obrigam a uma maior disponibilidade física (o que já existe geneticamente); por outro impossibilitam um movimento técnico mais apurado (e técnica é coisa que ainda falta ao jogador africano, devido à falta de escolas de futebol, de treino especializado, de dinheiro para construir centros de estágio, etc). E esta é precisamente a maior dicotomia no futebol africano actual: força física VS capacidade técnica

Ora, com estes relvados só resta aos jogadores optar pelo jogo físico e em velocidade, pois a nível técnico dificilmente poderão efectuar uma manobra mais arriscada. Chega a ser penoso ver jogadores mais evoluídos tecnicamente a embrulharem-se nos tufos de relva e a deixarem a bola ficar para trás, encaixada no meio de um socalco do terreno, quase invisível às câmaras de televisão.

Isto só prejudica o futebol africano e a sua CAN, que deveria ser a maior montra para estes jogadores alcançarem o sonho de jogarem num grande clube europeu.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

CAN 2008



A CAN começou e a polémica voltou. Os colossos europeus invocam que, se a organização continuar nesta atitude autista, mais vale deixar de investir na compra de jogadores africanos. As grandes equipas europeias sugerem que a CAN seja disputada no Verão (como o Mundial e Europeu) ou que então se realize de 4 em 4 anos. A CAN riposta dizendo que no Verão, devido ao intenso calor, é impossível realizar-se a competição. E não aceita uma mudança na periodicidade.


A CAN, neste formato, não é benéfica para ninguém. Os jogadores perdem os seus lugares nos clubes e voltam cansados; os adeptos em geral, nesta altura do ano, não prestam grande atenção à competição.


Mas mesmo assim, é inegável que nunca o futebol africano teve tanto poder na Europa como hoje em dia. Ninguém pode negar, por exemplo, que Samuel E'too e Didier Drogba são os melhores pontas-de-lança da actualidade (e Adebayor para lá caminha). E que Mamou Diarra, Yaya Touré, Obi Mikel e Essien são os melhores trincos do planeta futebolístico.


E há equipas que dá gosto de ver jogar futebol. A frente de ataque da Costa do Marfim é um exemplo disso, com 4 elementos na frente de ataque capazes de fazer inveja a qualquer selecção europeia ou sul-americana. Na direita joga o "arsenalista" Eboué, na esquerda Salomon Kalou, no meio actuam Drogba e Aruna Dindane. No banco ainda há Koné. Cá atrás o trinco do Barcelona Touré e a defesa central Kolo Touré do Arsenal. Sem dúvida uma grande equipa.


Tal como a Nigéria, que tem na frente de ataque um trio fantástico: Nwankwo Kanu, Yakubu e Obafemi Martins.


Basta ligarmos a EuroSport durante estes dias e ver em acção estes excelentes jogadores.


Os franceses já há muito que tinham aderido à moda de contratar jogadores africanos, muito devido a razões históricas. Os ingleses, nos últimos 10 anos, abriram as portas a uma invasão destes jogadores, patrocinada principalmente por Arséne Wenger, técnica do Arsenal de Londres. Na Alemanha também há muitos jogadores do continente africano. Os espanhóis começam agora a despertar para este fenómeno, enquanto que a Itália ainda permanece muito presa ao mercado argentino e brasileiro. Por cá, até ela nossa história, sempre tivemos bastantes jogadores de Angola e Moçambique. É pena que não se invista mais nestes mercados por parte dos clubes portugueses. Sir Alex Ferguson, por exemplo, foi buscar Manucho (ponta-de-lança angolano) para fazer testes no Manchester e o jogador correspondeu às expectativas e assinou contrato. Este tipo de procedimento raramente acontece nos 3 grandes nacionais. E é pena, pois este tipo de jogadores, num futebol cada vez mais físico e musculado, são muito importantes nas equipas que querem ombrear com os tubarões europeus.


Sendo assim, a CAN fez uma sangria no campeonato francês, inglês e alemão. Equipas como Chelsea, Arsenal e Barcelona saem fortemente prejudicadas pela aposta neste mercado. São jogadores titulares que, de um momento para o outro, desaparecem por um mês e obrigam a que os seus treinadores criem outras rotinas e introduzam jogadores suplentes no 11 inicial.


Apesar de tudo, a CAN 2006 promete ser uma competição disputada, com Gana, Costa do Marfim, Camarões, Egipto, Senegal, Marrocos e Nigéria como principais candidatos ao título.


E é uma oportunidade de vermos a mais recente estrela do FC Porto, Tarik Sektioui, em acção.


sábado, 19 de janeiro de 2008

Ainda o caso Meyong

Do caso Meyong resultam várias conclusões:
1 - A direcção do Belenenses deu mostras de falta de solidariedade e de correcção quando afirmou que a contratação era da exlusiva responsabilidade de Carlos Janela. Deixou o director-desportivo numa posição muito frágil perante os adeptos. Essa posição frágil traduziu-se em agressões de adeptos a um Carlos Janela indefeso, junto às instalações do Belenenses. Não havia ninguém (segurança, funcionário...) que poupasse Carlos Janela àquelas agressões? Para além disso, a Direcção deu mostras de que quando se ganham, ganham todos; quando se perde, a culpa é individual;
2 - Carlos Janela afirmou num programa televisivo que só teve interferência na contratação de Meyong na parte final, quando já estava tudo tratado - embora assuma que nessa altura devia ter investigado o percurso de Meyong em Espanha. Segundo ele, Meyong seria uma prenda de Cabral para o treinador Jorge Jesus, uma espécie de surpresa. Ou seja, parece que em Portugal ainda temos o estilo de contratação presidencial, bem á moda de Silvio Berlusconi (que até dita a Ancelotti se este deve jogar com 1 ou 2 avançados...). Só que Berlusconi tem dinheiro para ir buscar Kakás e Patos... e isso faz toda a diferença. Ou seja, no Belenenses, quem faz as contratações é a a Direcção, sem que o treinador tenha nada a ver com isso.
3 - A Direccção do Belenenses atirou rapidamente a toalha ao chão. Cabral demitiu-se, invocando razões de saúde. Não duvidando dos problemas de saúde de Cabral, o momento para comunicar esse facto à comunicação social foi o pior possível. Mesmo sendo verdade (porque eu acredito que é), deixa uma imagem de uma Direcção a fugir dos problemas, tal e qual um exército em fuga quando pressente que o inimigo está prestes a vencer a guerra.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Lenny (Braga) vai para o Palmeiras

Talvez seja precipitado deixar sair este jogador. E o Braga não se pode queixar de não haver exemplos. Diego, Luís Fabiano, Heinze, Giovanni, Jardel (com 18 ou 19 anos, Cajuda - então no Braga - rejeitou-o), Ronaldinho Gaúcho, entre outros, passaram pelo futebol português e foram dispensados ou rotulados como inapatos para o jogo europeu.
Roland Linz, João Tomás, Jaílson, Wender, João Vieira Pinto, Zé Manel, César Peixoto e Jorginho. Demasiados jogadores para a linha da frente talvez expliquem o apagão desta promessa brasileira.

Alguns apontamentos do jogador aqui.

Caso Meyong



O caso Meyong promete dar que falar. Dizem os regulamentos FIFA e FPF que um jogador, na mesma época, pode jogar no máximo por 3 clubes. Contudo, para jogos oficiais, apenas se contabilizam os jogos disputados em 2 clubes.

Acontece que Meyong, no Verão, transferiu-se do Belenenses para o Levante, onde actuou 10m. Logo depois foi transferido para o Albacete, onde continuou a jogar. Agora, no mercado de Inverno, foi contratado pelo Belenenses, tendo-se estreado na BWIN Liga 2007/2008 com um golo de penalty frente à Naval 1º de Maio, no Restelo.

Ou seja, Meyong disputou jogos oficiais na mesma época por 3 clubes diferentes (Levante, Albacete e Belenenses).

A FPF emitiu o seguinte comunicado:

«1 - O registo desportivo depende de requerimento do clube, devendo o mesmo ser acompanhado dos elementos necessários, os quais se encontram previstos na regulamentação da LPFP e FPF.

2 - No caso referido, o processo de inscrição correu os seus termos normais, respeitando todos requisitos, nomeadamente a documentação exigida, de acordo com o que se encontra regulamentado.

3 - Nos termos do citado Artigo 5º nº 3 do Regulamento da FIFA, referente ao Estatuto e Transferência de Jogadores, os jogadores podem ser inscritos pelo máximo de três clubes por época desportiva, só podendo, porém, participar em jogos oficias por dois clubes. Para a Federação Portuguesa de Futebol, a situação é, pois, claríssima. O jogador podia ser inscrito, tal como aconteceu, na presente época, cabendo ao clube a decisão de o utilizar oficialmente.»

As atitudes da FPF e do Belenenses parecem-me, no mínimo, estranhas. Vejamos:

Comecemos pela FPF. A não ser que a respectiva inscrição tenha sido acompanhada pro uma nota enviada ao Belenenses da situação de risco do jogador em causa, só podemos concluir que a atitude do organismo presidido por Gilberto Madaíl foi de má fé. Má fé porque deveria ter, claramente, avisado a entidade que interpõe o requerimento de inscrição. Esta atitude é faz lembrar uma pessoa que está á espera que a outra cometa um erro para depois lhe atirar à cara "foste burro! caíste na armadilha!". A função da FPF é ajudar, defender e prestar apoio a todas as entidades ligadas ao futebol português. Ou alguém pensaria na Federação que o Meyong foi contratado para disputar partidas amigáveis? Ou que foi contratado para ser mais um nos treinos? Mais! No ponto 3 do comunicado, a FPF dá mostras de uma grande arrogância, quase que afirmando que apenas tem de fazer o que lhe pedem, não sendo obrigada a mais do que isso, quando diz que "a decisão de utilizar oficialmente o jogador cabe ao clube". Enfim!

Relativamente ao Belenenses, temos o típico caso que faz parecer que os clubes em Portugal ainda são geridos por amadores. Mas será que não há um departamento jurídico para os lados de Belém? Será assim tão díficil conhecer a lei da actividade em que estão inseridos? Ou esta será mais uma daquelas atitudes de chico-espertismo no estilo "nós é que somos espertalhões, os outros são uns lorpas, ninguém vai reparar, nem a FIFA nem nenhum regulamento nos come"?

Ainda para mais quando na época passada se deu um caso semelhante com o argentino Javier Mascherano, contratado pelo Liverpool ao West Ham na janela de transferências de Janeiro, quando antes já tinha disputado jogos oficiais no Brasileirão pelo Corinthians. Ou seja, Mascherano estava na mesma situação que Meyong: tinha disputado jogos oficiais por Corinthians e West Ham e, caso jogasse pelo Liverpool, incorreria em ilegalidade. Mas os reds não dormem e, antes de utilizarem o jogador, iniciaram uma disputa jurídica com a FIFA, no sentido deste organismo abrir uma excepção ao regulamento para o argentino, tendo em conta as especificidades do caso, sendo que alegaram as diferenças entre o calendário brasileiro e o calendário europeu. O organismo máximo que tutela o futebol internacional abriu excepção e, deste modo, Mascherano pôde ser utilizado por Rafa Benítez.

Teria sido assim tão díficil pedir a Jorge Jesus que aguardasse que a poeira assentasse e que toda a situação fosse devidamente esclarecida antes de utilizar o avançado africano? Ainda para mais quando se tem Weldon e Roncatto no plantel? Penso que não! O Belenenses deu provas de algum amadorismo nesta matéria. Amadorismo esse que pode custar pontos, o que, nesta fase da época, pode atirar o Belenenses definitivamente para fora da luta pelas competições europeias.Mais um caso de inscrições duvidosas e esquisitas no futebol português.

Depois do caso Mateus, o caso Meyong.

Rubrica Petrolina



Respondendo à sugestão do meu caro amigo Pedro Sousa (ver comentário ao artigo anterior), anuncio a criação da 1ª rúbrica desta blog: Rubrica Petrolina.

Passo a explicar o nome, que pode parecer estranho. Todos se lembram concerteza do notável jogador brasileiro que passou pelo futebol português no Beira-Mar e no Belenenses que dava pelo curioso nome de Juninho Petrolina. Este típico camisa 10, sem ser um jogador fantástico, animou durante muitos anos o futebol português com os seus dribles, as suas aberturas e a sua fantasia. É verdade que nunca teve qualidade para ambicionar voos mais altos (como por exemplo representar os 3 grandes), mas não podemos negar que Petrolina ofereceu aos aficcionados do nosso futebol notáveis momentos de magia e de classe.
Ora, é precisamente destes jogadores que a Rubrica Petrolina falará e analisará. Os típicos jogadores de clubes pequenos e médios que, apesar de terem bastante qualidade, falta-lhes a chamada "world class" para poderem chegar a um grande e ganhar um lugar. Ora, em conversa com o Pedro Sousa, chegamos à conclusão que Juninho Petrolina encarnava na perfeição esse tipo de jogadores, sendo mesmo o seu maior expoente nos últimos anos. Artistas da bola que, se não fossem eles, o nosso Campeonato seria bastante mais pobre e ainda mais dominado pelos 3 grandes. São muitas vezes estes jogadores que pregam as denominadas "partidas" a Porto, Benfica e Sporting e que fazem, aos fins de semana, as alegrias dos adeptos desses clubes.
A Rubrica Petrolina é, no fim de contas, uma homenagem a Juninho Petrolina e a todos aqueles jogadores que não ficam na História do Futebol, mas que para ela contribuem.