
Aquilo que todo o treinador teme. Até mesmo José Mourinho.




«1 - O registo desportivo depende de requerimento do clube, devendo o mesmo ser acompanhado dos elementos necessários, os quais se encontram previstos na regulamentação da LPFP e FPF.
2 - No caso referido, o processo de inscrição correu os seus termos normais, respeitando todos requisitos, nomeadamente a documentação exigida, de acordo com o que se encontra regulamentado.
3 - Nos termos do citado Artigo 5º nº 3 do Regulamento da FIFA, referente ao Estatuto e Transferência de Jogadores, os jogadores podem ser inscritos pelo máximo de três clubes por época desportiva, só podendo, porém, participar em jogos oficias por dois clubes. Para a Federação Portuguesa de Futebol, a situação é, pois, claríssima. O jogador podia ser inscrito, tal como aconteceu, na presente época, cabendo ao clube a decisão de o utilizar oficialmente.»
As atitudes da FPF e do Belenenses parecem-me, no mínimo, estranhas. Vejamos:
Comecemos pela FPF. A não ser que a respectiva inscrição tenha sido acompanhada pro uma nota enviada ao Belenenses da situação de risco do jogador em causa, só podemos concluir que a atitude do organismo presidido por Gilberto Madaíl foi de má fé. Má fé porque deveria ter, claramente, avisado a entidade que interpõe o requerimento de inscrição. Esta atitude é faz lembrar uma pessoa que está á espera que a outra cometa um erro para depois lhe atirar à cara "foste burro! caíste na armadilha!". A função da FPF é ajudar, defender e prestar apoio a todas as entidades ligadas ao futebol português. Ou alguém pensaria na Federação que o Meyong foi contratado para disputar partidas amigáveis? Ou que foi contratado para ser mais um nos treinos? Mais! No ponto 3 do comunicado, a FPF dá mostras de uma grande arrogância, quase que afirmando que apenas tem de fazer o que lhe pedem, não sendo obrigada a mais do que isso, quando diz que "a decisão de utilizar oficialmente o jogador cabe ao clube". Enfim!
Relativamente ao Belenenses, temos o típico caso que faz parecer que os clubes em Portugal ainda são geridos por amadores. Mas será que não há um departamento jurídico para os lados de Belém? Será assim tão díficil conhecer a lei da actividade em que estão inseridos? Ou esta será mais uma daquelas atitudes de chico-espertismo no estilo "nós é que somos espertalhões, os outros são uns lorpas, ninguém vai reparar, nem a FIFA nem nenhum regulamento nos come"?
Ainda para mais quando na época passada se deu um caso semelhante com o argentino Javier Mascherano, contratado pelo Liverpool ao West Ham na janela de transferências de Janeiro, quando antes já tinha disputado jogos oficiais no Brasileirão pelo Corinthians. Ou seja, Mascherano estava na mesma situação que Meyong: tinha disputado jogos oficiais por Corinthians e West Ham e, caso jogasse pelo Liverpool, incorreria em ilegalidade. Mas os reds não dormem e, antes de utilizarem o jogador, iniciaram uma disputa jurídica com a FIFA, no sentido deste organismo abrir uma excepção ao regulamento para o argentino, tendo em conta as especificidades do caso, sendo que alegaram as diferenças entre o calendário brasileiro e o calendário europeu. O organismo máximo que tutela o futebol internacional abriu excepção e, deste modo, Mascherano pôde ser utilizado por Rafa Benítez.
Teria sido assim tão díficil pedir a Jorge Jesus que aguardasse que a poeira assentasse e que toda a situação fosse devidamente esclarecida antes de utilizar o avançado africano? Ainda para mais quando se tem Weldon e Roncatto no plantel? Penso que não! O Belenenses deu provas de algum amadorismo nesta matéria. Amadorismo esse que pode custar pontos, o que, nesta fase da época, pode atirar o Belenenses definitivamente para fora da luta pelas competições europeias.Mais um caso de inscrições duvidosas e esquisitas no futebol português.
Depois do caso Mateus, o caso Meyong.
